A Vez Deles (Fev 2012)
Sejamos coerentes. Se as mulheres sofrem com a repressão sexual, os homens sofrem com a falta de espaço para serem humanos. Também são reprimidos sexuais. Enquanto elas podem expor seus problemas, eles não têm esse espaço. Precisam de acolhimento mas o que vemos são etiquetas presas nos corpos deles dizendo que sabem e conhecem tudo sobre sexo quando falar de sexo para eles é falar de performance. Ainda que as coisas estejam mudando e não são mais considerados bananas por qualquer coisa, a sexualidade masculina continua secreta.
Será por isso que estamos em tempos de homens inseguros? Arrisco a dizer que é porque bolamos regras prontas sobre como se relacionar, sobre o que a mulher quer ou quem são eles. A diversidade nos assusta tanto que logo criamos categorias e critérios para preenchermos angústias. E conhecem aquela história de uma mentira contada mil vezes se faz numa verdade? Ou seja, eles se comportam como a realidade pede, customizando seus comportamentos.
Mas o que percebo, na verdade, é que a crise não é masculina mas de um modelo da masculinidade. Se antes existia um único padrão a ser seguido, hoje há concorrentes e é preciso ir do machão ao sensível em 3 segundos. As mulheres estão exigindo mais e tudo dentro de uma única pessoa.
Mas tente relaxar mais e se permitir ser quem você é, sem precisar enganar ninguém, sem precisar de um mantra da proteção. Vamos liberar os homens de tantos roteiros, planejamentos ou teorias. Pare de olhar para um que não existe. É preciso compreensão para encontrá-los e vontade para aceitá-los.
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Olá, Quer Tc? (Jan 2012)
Na minha época era preciso uma agenda cheia de clipes para demonstrar que eu já estava na adolescência, hoje tudo está no virtual. São vários os sites para que você esteja em contato e diga o que está fazendo da sua vida. Se antes era exatamente isso que os adolescentes mais detestavam, hoje que os adultos estão gostando dessa brincadeira. Mas que relações são essas mediadas pela internet? O encontro que acontece ali é informatizado, superficializando a intimidade. No virtual, não que eu não seja aquilo, mas ninguém precisa saber quem sou e um dos nossos sentidos mais fundamentais, a imaginação é bem alimentado pela internet. Tanto que a ferramenta dos sites de relacionamento é o visual que permite o início da libido, estímulando a atração. Fotos de pessoas lindas e sorridentes te esperam, basta fazer a sua parte e se cadastrar: digite o número do seu cartão de crédito e fature vários encontros com pessoas interessantes, claro. Acontece, como disse uma vez Lulu Santos, o mundo lá fora num instante te devora e na vida real não é bem assim que acontece.
Claro que se não fosse a internet ficaríamos sem conhecer muita coisa. Mas, ao mesmo tempo que ela é capaz de nos passar dados de realidade, nos fala também de um lugar reservado para a fantasia onde seres que se virtualizam em photoshops das próprias vidas. Cria-se o mundo que se quer e usa-o como se existisse. Além disso, a internet é um veículo moderno e seguro. Você não precisa sair de casa ou passar pelo teste do bafômetro. Mas, ainda assim a ansiedade do 1º encontro persiste. Os “a dois” precisam de contato verdadeiro, num ambiente bem diferente daquele controlado do virtual. É preciso sair de lá e entrar no aqui. É preciso tocar a pele, olhar os olhos, sentir o cheiro. Deixando que duas mãos se encontrem sem que seja ao som de um teclado. É preciso saber de si, segurar um papo frente a frente porque ali não adianta bloquear ou fazer de conta que a conexão caiu.
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Se não é droga, será que vicia?
Muitos homens têm medo do vibrador roubar a cena. E se esse objeto for o responsável pelo orgasmo delas? Será o fim de tanto (des)empenho? Vamos com muita calma pois não é assim. O vibrador, assim como qualquer outro acessório, é um recurso completamente sadio e normal dentro de quartos quando os dois concordam com a sua utilização. Caso contrário, ele deverá voltar pra gaveta ou nem sair da loja.
Antes utilizados por solterias, encalhadas e viúvas. Hoje utilizado por mulheres que se dizem mais à vontade de levarem um terceiro elemento para a cama. Mas e o que fazer se ele não quer nem tentar? Não adianta, eu sei. Tem uns que não estão abertos para a novidade e ai é um trabalho de consciência masculina ou da persistência feminina. Claro que vale se questionar o quanto que ele também é importante para a realização da mulher para que seu uso não se transforme em uma guerra de poder. Então vamos sanar a primeira questão: vibrador nenhum conhece o caminho para o Grande Ó. Não vai achando que o seu uso vai trazer o caminho do orgasmo perdido. Se fosse assim, ele não se chamaria vibrador e sim GPS. O que acontece é que seu uso pode facilitar no conhecimento das reações corporais. Além dele, o uso de outras técnicas e o bom e velho corpo do parceiro também servem como aliados.
Assim, o problema não está em seu uso mas na falta de comunicação entre os parceiros. Está na dificuldade de entendimento e de acordos na relação. Imagina que chato deve ser uma mulher frustrada por querer experimentar o vibrador e um homem angustiado em se sentir comparado ou deixado de lado.
Façam ou não façam o que sentirem vontade mas cuidado com o poder que se pode acabar atribuindo a um simples objeto. A manipulação é que vai ser o diferencial nessas horas e para manipular é preciso conhecer o caminho a ser percorrido. Descubra como descobrí-lo e faça bom proveito das suas novas potencialidades.
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Sexologia: Atualize-se !
Sexo no Cativeiro de Esther Perel fala sobre quanto a intimidade é nociva aos relacionamentos. Pensemos na lei da oferta e da procura: quando a oferta é infinita, o seu valor cai. A autora afirma que o erotismo precisa de uma distância, um espaço entre o eu e o outro. Mas lembremos que sexo e afeto se colocam em esfera e importância distintas e nos puxam para lados contrários.
Sem perceber casais sacrificaram a paixão em nome da estabilidade. Contribui para isso as próprias dinâmicas de um relacionamento que não colaboram muito para o sexo. Aquilo que é fonte de conflito fora da cama, poder, controle, vulnerabilidade, é desejável se experimentada através do corpo e erotizado. Como separar algo que está tão misturado?? Mais. Como esperar que o nosso relacionamento nos proteja dos perigos do mundo se o amor é intrinsicamente instável? Criamos artifícios para isso: colocamos limites, impomos regras e criamos previssibilidades. A mesma base do conhecido que traz a paz doméstica, orquestra o tédio. E muito disso se dá pelo fato de que gostamos de neutralizar a complexidade do outro em nome da nossa segurança. Estreitamos nosso parceiro, ignoramos partes essenciais para colocarmos ordem na casa. Também nos reduzimos, abrimos mão de blocos da nossa personalidade em nome do amor. Quando a intimidade é sinônimo de fusão, não é a falta mas o excesso da proximidade que impede o desejo. Quando dois vira um, não há ninguém com quem se ligar e onde não se tem nada para esconder, não há nada a procurar: esse é o lema do desejo, que está mais mais interessado em onde pode estar do que onde esteve. A paixão está intimamente ligada ao nível de incerteza que você está disposto a tolerar. Assim, tolerar a própria individualidade é fundamental para manter o desejo do lado de dentro da relação. Não esqueãmos que o fogo também precisa de oxigênio para se alimentar.
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Estamos abrindo um espaco para esclarecermos suas dúvidas. Caso tenha alguma, mande um email para consultoriodepsicologia@gmail.com e aguarde a publicação. Seu nome será mantido em sigilo.
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