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POESIA E LITERATURA

“- Boa noite, Srs. Restaurantes eSra. Dona Boite, e Vocês Lanchonetes e Casas de Shows, como vão?”
Por AntonioLauria


“-Apavorados, com medo, aterrorizados”. Estamos com quatro vizinhos novos. Para o nosso lado direito, mudou-se o perigo; para o lado esquerdo, o pavor, para os fundos, omedo e ali, para frente, o terror. Os clientes do chopinho,do bate-papo descontraído, das contagiantes gargalhadas, aqueles que contavam histórias do ontem, o ontem, quando os homens exibiam relógios de marcas famosas, alguns, os mais antigos, prendiam-os em grossas correntes de ouro e sobre as mesas, em um dos lados ficavam seus porta-notas com documentos, os talões de cheques, dinheiro e sobre eles as chaves do carro, enquanto entre um gole e outro e um petisco, beijavam e acariciavam suas namoradas, etc.


Hoje, com “essa nova vizinhança”, fugiram. Interessante é que, ao invés de fugirem ou mudarem, “os novatos”, por não se sentirem bem ao lado dos verdadeiros e velhos moradores, isso não tem acontecido e não raro, esses são até expulsos de suas casas e do bairro, e eles ficam.


Não sei não Dr, mas todos nós estamos pensando em fechar, vender tudo, os patrícios voltarem para a “terrinha”, não sabemos o que fazer. Certo é que estamos apavorados, com medo, aterrorizados!


Imagine o Sr, que até o Dr da DP, ali da outra quadra, que vinha com uns amigos vestidos com uma farda impecável e nos davam uma gorjeta boa, desapareceram, não sentam mais aqui.


A única coisa que chega é o boleto do aluguel, a conta de luz, a multa do letreiro, a informação de quanto temos que pagar ao contador e o aviso dele dos recolhimentos a fazer. Os únicos clientes que permaneceram fiéis foram os fiscais, mas esses, na maioria das vezes, vem pela manhã e não gastam nada.


Pagar como as contas, se não tem clientes? Ainda para culminar, aqueles que desfilavam de carrões, venderam porque, além do perigo de serem roubados, os Drs. podem ser pegos em uma blitz. Resultado: as boas e generosas doses deram lugar ao refrigerantes e aos sucos.


Não sei não Dr, mas está muito difícil. Obrigado pelo “dedo-de-prosa” que o Sr. me deu.


Volte sempre”






 
 
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