Características florestais do Parque Lage tornam ruas e bairros próximos ambientes para lá de agradáveis. Atrativos também não faltam aos visitantes.
Situado em ponto nobre da cidade, entre o morro do Corcovado e a rua Jardim Botânico, próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas, está um dos maiores e principais espaços de culto à natureza e turísticos da cidade do Rio de Janeiro, o Parque Henrique Lage, popularmente chamado de Parque Lage.
Quem transita diariamente pela rua Jardim Botânico, especialmente no verão intenso, sabe que a passagem em frente ao parque significa um refresco do calor, como se ali fosse na verdade um corredor equipado com um enorme ar-refrigerado natural. E não é para exagero algum, pois são aproximadamente 93,5 mil metros quadrados de puro verde, com incontáveis árvores e plantas de diversos tamanhos e espécies, a exceção dos monumentos históricos lagos artificiais, cachoeiras e uma fauna diversificada.
O termo que resume bem a importância do local foi dito por um freqüentador, o ambientalista aposentado Manoel Buenno. “É o pulmão da zona sul. Neste trecho entre o Humaitá e o Jóquei, para cá da Lagoa, parece que estamos em outra cidade. Acho que nem o Jardim Botânico é mais gostoso”, afirma, fazendo questão de citar que visita o Parque há mais de 30 anos. “Eu venho aqui desde 1972, sabe o que é isso? Conheço muito isso aqui. Quando era mais novo, me embrenhava nestas matas pelas trilhas. Hoje venho mais sossegado, para trazer meu neto e aproveitar essa paz”, encerra.
O Parque Lage tem características florestais. A entrada principal leva o visitante direto a uma construção que serviu de moradia para os antigos proprietários, em estilo eclético. Logo à direita há um espaço com cadeiras e mesas em pedra, onde famílias se reúnem para fazer piqueniques. Dentre os principais atrativos estão o aquário em forma de gruta, construído artisticamente em argamassa, que imita rochas e troncos, assim como os bancos e as pontes em volta. Seguindo os caminhos do parque, chega-se ao alto, no famoso Lago dos Patos, um recanto lindíssimo com mirante, abastecido pela água de uma cachoeira que pode ser vista mais de perto subindo as escadas ou as trilhas que a margeiam.
As crianças também se divertem, existem brinquedos como escorregas e balanços para brincarem enquanto os casais namoram junto ao belo chafariz. O Parque conta com um estacionamento para 60 automóveis e pequeno bicicletário.
Se Meu Parque Falasse...
Se falasse, o Parque Lage teria muitas histórias para contar. Desde 1849, data de sua construção, já recebeu três grandes reformas para modernizar e manter o patrimônio que representa, nas décadas de 20 e 30 e recentemente no ano de 2002, quando estava literalmente abandonado pelos governos municipais.
O levantamento do parque foi elaborado para servir de residência a Rodrigo de Freitas Melo, seu primeiro dono e que tem nome eternizado devido à Lagoa, a menos de 50 metros do local. Dez anos mais tarde, Rodrigo vendeu o terreno a Antônio Martins Lage, que o deixou de herança a seu filho Henrique Lage, hoje, nome completo do parque. Mais tarde, o patrimônio foi desapropriado por decreto.
A importância é tamanha que seu tombamento foi realizado já em 1957, antes de sua desapropriação, e reiterado 19 anos depois. E não é à toa, além do lazer que proporciona e da imensidão do arvoredo, o projeto da antiga residência foi elaborado inicialmente pelo famoso paisagista inglês John Tyndale, que buscou a incrementação de jardins. Depois, Henrique Lage substituiu esta casa por imponente mansão possuidora de pátio com piscina, pórtico saliente na fachada principal e revestimento de cantaria, a qual até hoje se mantém de pé. A Fundação Parques e Jardins é atualmente a responsável pela manutenção.
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