“Hoje nos ensinaram a jogar futebol". A frase de Neymar descreve a superioridade do Barcelona diante do Santos, na final do Campeonato Mundial da Fifa, vencida pelo Barcelona por 4 a 0. Mal sabe ele que a aula vai além das quatro linhas.
O clube catalão é base da seleção espanhola, a atual campeã da Copa do Mundo, acrescentada do melhor jogador do planeta, Messi, da seleção argentina, e conta com jogadores de outras seleções, como Daniel Alves, do Brasil. Uma verdadeira seleção do mundo. Apesar da riqueza do clube, o dinheiro é apenas parte do segredo.
O investimento nas divisões de base e a postura ofensiva, uma filosofia ensinada quando os jogadores ainda são crianças, é que estão fazendo a diferença.
A postura da equipe é de não desperdiçar a posse de bola, tocando rapidamente, com muita movimentação, para finalizar a jogada perto da baliza, aumentando as chances de gol. O time nunca joga atrás. Contra o Santos, mais do que os 4 a 0, impressionou uma posse de bola próxima de 80%.
Sobre a base, hoje o clube busca crianças e adolescentes que se destacam em todo o mundo e os prepara com perfeição, como é o caso de Messi. Grandes contratações só para completar a “seleção”.
O Brasil parece distante dessa realidade. Mas como? Não era o Brasil que jogava assim? O técnico barcelonista Guardiola falou: “Nós jogamos hoje como me disseram que vocês jogavam no passado”. Ou seja, enquanto os espanhóis copiavam o nosso futebol, nós copiávamos os europeus, seus sistemas defensivos e seus cruzamentos para grandalhões sem habilidade.
Além de voltar a jogar no ataque, os brasileiros devem ter nova postura nas divisões de base. Investir mais; não ceder aos empresários que buscam exportar os jovens; expandir a procura por mini-craques, não vender as promessas e trabalhar as “jóias” garimpadas ao máximo.
Para encarar os “Barcelonas” da vida, o futebol brasileiro precisa voltar às suas raízes. Ser ofensivo sem medo de perder e investir na garotada. E isso deve ser feito já, porque ontem o Barcelona plantou o que colheu hoje, e hoje já planta o que deve colher amanhã.
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