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Paulinho Mocidade

Entrevista publicada em agosto de 2012 na Zona Norte.

Sonhar não custa nada, eternamente sucesso

Paulinho Mocidade, um dos autores e grande intérprete do consagrado samba, é um dos maiores símbolos do carnaval da cidade do Rio de Janeiro. Dono de voz e animação reconhecidas no Brasil inteiro, tem em no bordão “chegou a hooora...” sua marca registrada. 

Em ano muito especial, comemorando 20 anos do samba “Sonhar Não Custa Nada”, Paulinho Mocidade concedeu entrevista ao CORREIO CARIOCA. Sempre simpático, contou-nos detalhes de sua trajetória no carnaval carioca e de outros estados, por onde já atuou.
“Sonhar Não Custa Nada”, um dos mais famosos sambas do carnaval carioca em todos os tempos, já foi regravado por vários artistas consagrados, como Emílio Santiago e Roberta Sá, e, mesmo hoje, ainda está na ponta da língua do povo.


Paulinho Mocidade

Pessoal:

Correio Carioca: Você é carioca de que bairro? O que mais gosta de fazer na Cidade Maravilhosa?
Paulinho Mocidade: Sou Banguense de fato e de direito... nascido e criado na famosa Rua da Chita, no centro do bairro, nome dado em razão do pano chita da fábrica Bangu, na época a maior fábrica de tecidos da América Latina. Curtir uma praia, futebol e, claro, o meu samba.


Carnaval:

Em que ano você estreou à frente de uma escola de samba puxando o samba-enredo? Em que escola foi?
Sou cria da Mocidade Independente de Padre Miguel. Frequentava os ensaios da escola quando tinha 10 anos de idade. Aos 20 ingressei na ala de compositores, na época sendo o mais jovem compositor e cantor.
Em 1971... ganhei alguns sambas de terreiro e três consagrados sambas de enredo... Em 1983 - "Como era verde o meu Xingu", em 1989 - "Elis, um trem de emoções" e em 1992 - "Sonhar não custa nada ou quase nada!!!". Como cantor oficial, estreei em 1990 com o enredo "Vira-Virou, a Mocidade chegou", com a escola sendo campeã e, em 1991, fomos bi-campeões com "Chuê-Chuá as águas vão rolar".

Por que você resolveu ser intérprete de sambas-enredo nos desfiles? Você se inspirou em algum puxador?
O destino nos prega algumas surpresas. Final de samba enredo na Mocidade, a três dias da gravação do disco oficial da escolas de samba do Rio em 1989, o intérprete oficial da escola, Ney Viana, vem a falecer em plena quadra de ensaios, com um enfarto fulminante do miocárdio, às 2h da madrugada. Dr. Castor de Andrade e Chiquinho Pastel, diretor de carnaval, mandam me pegar em casa e a partir daquele momento me tornei um intérprete de samba de enredo. Inspiração: mestre Jamelão, Neguinho da Beija-Flor, Haroldo Melodia e Carlinhos de Pilares. Embora eu tenha o meu estilo próprio.

Você tem grande identificação com a Mocidade e já trabalhou em várias escolas de samba. Apesar disso, tem uma escola de coração?
A escola de coração, nem preciso falar. Realmente a identidade é muito grande, o povo pede a minha volta pra escola, a imprensa também, porém, infelizmente, a política na escola... deixa prá lá... aproveitando a grande repercussão desse jornal, agradeço o carinho dos brasileiros, por onde quer que eu vá, a pergunta não quer parar: Volta pra Mocidade, porém, entretanto e todavia!!!

Quantos títulos você conquistou no carnaval do Rio?
São quatro.

Qual foi o desfile que mais marcou você? Por quê?
Foram vários, mas citarei os campeões... "Vira-Virou a Mocidade chegou, em 1990, e Chuê-Chuá as águas vão rolar, em 1991. Entramos pelo setor 13 e o povo loucamente gritava "é campeão". Pela Imperatriz Leopoldinense, em 2000, com "Descobrimento do Brasil" e, em 2001, com "A história da cana de açúcar que virou a cachaça", com o mesmo setor 13 gritando tri-campeão. Não dá pra explicar essa emoção!

Como você criou o tradicional grito de guerra "chegou a hora!"?
Expliquei ainda pouco, surgi para o grande público carnavalesco com a tragédia que vitimou o Ney Viana, naquela madrugada de sábado para domingo, na quadra da Mocidade e daí o "Chegou a hooora". Realmente a todo instante de nossas vidas está e estará chegando a hooora!!!

Você já trabalhou no carnaval de outros estados. As experiências foram marcantes?
Além do Rio, já cantei em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É realmente interessante e de muita saber, por quê? A gente aprende com eles os seus hábitos, as suas culturas, as suas virtudes e, claro, vemos de perto os seus defeitos. E com todo aprendizado que tivemos aqui na matriz (RJ) passamos pra eles com total maestria o que a nossa fonte nos ensinou, mas temos que ter cuidado com eles, porque o bairrismo fala mais alto.

Quais são seus planos para o carnaval de 2013. Você vai puxar o samba de qual escola?
Em 2009, estava eu na Imperatriz Leopoldinense. Em 2010 fui fazer um show em Porto Alegre e me fizeram um convite interessante, acabei aceitando e participei do carnaval do Rio Grande do Sul em 2011 e em 2012. Me desliguei e estou no meu Rio de Janeiro de bobeira, louco pra soltar a voz na Sapucaí¬, que realmente é o meu lugar. Estou à espera de um convite.

Em sua opinião, quais são as maiores diferenças dos desfiles das escolas de samba dos anos 1980 e do começo dos anos 1990 para os atuais?
Na vida tudo passa, tudo muda e não poderia ser diferente com relação ao desfile das escolas de samba. O samba hoje é extremamente profissional, a estrutura a cada ano é gigantesca. O carnaval é vendido para uma centena de países. Dignidade com o samba, com o espetáculo e com o Brasil. Parabéns!!! Porém, algumas posições jamais serão aceitáveis, como por exemplo: cadê a mulata? Cadê o passista? Cadê o sambista de fato e de direito? Cadê os grandes sambas de enredo, trazendo melodias ricas, poesias, filosofias, cadê os grandes cantores e compositores? Pois é...


Paulinho Mocidade


Trabalhos:

De todas suas composições, quais são as preferidas?
"Se o caminho é meu", "Como era verde o meu Xingu" e "Sonhar não custa nada ou quase nada!!!".

Você já gravou quantos discos pessoais?
Foram 3 LPs e 2 CDs.

Você já fez parceria com outros sambistas? Fale de trabalhos marcantes com eles.
Tive a honra de compor um samba com o Martinho da Vila... com Dona Ivone Lara, com Paulinho Resende, com Durval Ferreira, Wilson das Neves, com Afrânio Melo e com Jurandir Bringela. São sambas maravilhosos.

Quais são seus trabalhos atuais?
Estarei entrando em estúdio o mais breve possível para realizar mais um CD de carreira.



Esporte:

Você é torcedor do Vasco da Gama e sempre acompanha futebol. Você se dedica a algum projeto no esporte?
Sou apaixonado pelo Vasco, fiz parte da gravação do DVD e CD do C. R. Vasco da Gama, que está nas lojas, comemorando o aniversário do clube, somente com artistas vascaínos, e a minha participação foi cantar o hino do Vasco em ritmo de samba com a bateria da Unidos da Tijuca. Sou Bangu por tradição, joguei futebol pelo Bangu, chegando ao profissional, mas o samba falou mais alto. Queria sim fazer um projeto nas comunidades carentes para descobrir os talentos que estão no anonimato, porém o tempo não me permite.


Contato:

Como deve proceder quem desejar entrar em contato profissional com você?
Contatos para show: 7736-9711, 9986-8184, shows com banda ou bateria e mulatas...


Mensagem do Paulinho:

Obrigado pelo carinho e pela oportunidade de bater este papo com vocês. Abraços. Jesus é
luz, pense sempre.



 

 
 
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