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Mestre Mug

Entrevista publicada em dezembro de 2008 na Zona Norte.

Esbanjando simpatia e bom humor, o Mestre Mug, atualmente o diretor em maior destaque da Unidos de Vila Isabel e responsável pela bateria da escola, conversou um pouco com a equipe do Correio Carioca. Ele falou do amor que tem pela Vila Isabel, como se tornou mestre de bateria e que a hora de se aposentar já está próxima.

Correio Carioca: Em qual bairro o Mestre nasceu?
Mestre Mug: Nasci em Bonsucesso, morei lá até os meus sete anos de idade e depois fui para Pilares e só com 13 para 14 anos é que vim para Vila Isabel, e aqui estou até hoje.

Quando se envolveu com o samba?
Logo que eu cheguei em Vila Isabel eu entrei para a bateria mirim da escola, fiquei uns três anos e acabaram com a bateria mirim, ficaram só com a bateria adulta mas eu fui aproveitado.

Como chegou a Mestre de Bateria?
Eu sempre fui um bom batedor. A escola estava precisando de um diretor, já que o antigo mestre Ernesto tinha abandonado a escola. Ele era salgueirense, vinha quando queria e para não vir ninguém de fora, pediram para eu segurar a bateria já que eu era conhecido e cria da casa.

O senhor chegou a estudar bateria ou esse talento todo veio no sangue?
Nunca estudei nada de bateria, está tudo no sangue mesmo. Aliás, eu nunca tive muito estudo na minha vida, nunca tive tempo. Minha mãe morreu quando eu tinha 11 anos, eu tive uma vida sofrida. As pessoas até perguntam como eu sou mestre sem estudo. Mas eu tive essa felicidade. Tem muita gente que é estudada e não tem a cabeça que eu tenho... isso é coisa de Deus (risos).

Sua dedicação à bateria é integral ou o senhor tem outra atividade?
Eu trabalhava como vigia aqui do campo do América, mas eles mudaram o campo de lugar e eu pedi para sair. Eu sou motorista, dava umas voltas com meu táxi, mas ultimamente a escola está me pagando bem e eu posso ficar em casa me dedicando só à bateria.

A sua bateria é toda da comunidade?
A minha bateria é toda na comunidade, se eu pegar gente de fora não vai ser a mesma batida, então é essa panela aqui mesmo. As únicas coisas que vem de fora são os chocalhos, os tamborins e as cuícas.

O Mestre gosta de chamar a sua bateria de "orquestra", o senhor exige muito dos seus batedores?
Eu tenho que exigir da galera, senão o prejudicado sou eu mesmo. No ensaio, eu fico ligado em tudo que está acontecendo, eu sei se o cara lá do outro lado está batendo certo ou não. Eu não posso intimar ninguém a tocar, mas se você não toca, eu não te dou a fantasia. Tem que fazer o meu jogo. Jamelão falava que era um interprete, não um puxador. Então eu sou um maestro, não um diretor. A bateria é o coração da escola, sem ela você não samba, não canta e não dança.

Já está chegando a hora de se aposentar?
Pretendo ficar mais uns dois ou três anos a frente da bateria. A idade já está pesando, já vou fazer 59 anos. A gente vai ficando cansado mesmo. É como um jogador de futebol, quando chega aos 40 já vai ficando difícil pra ele, só que é um pouco pior já que como diretor você acaba ficando noites sem sono pensando nisso e naquilo. Só não parei ainda porque ainda tenho que ajeitar algumas coisas na minha vida, faltam algumas coisinhas já que eu passei por muita dificuldade aqui na Vila Isabel. A escola não tinha condições e eu não larguei a escola, ficamos na rua, sem sede, e eu não larguei a escola. Fiquei mais de dez anos aqui sem ganhar uma prata e não larguei a escola.

 
 
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