Jornal Com Distribuição Mensal nas Zonas Norte (Tijuca - Vila Isabel - Grajaú - Andaraí) e Sul (Botafogo - Urca - Humaitá) do Rio de Janeiro
 
 
 home / página incial
 siga o correio carioca no twitter
 correio carioca no facebook
 
Falcão

Entrevista publicada em novembro de 2009 na Zona Norte.

Com quase 20 anos de carreira, Marcondes Falcão Maia, já gravou oito cds, está em estúdio gravando mais um e até já comandou um programa na TV Bandeirantes. Aos 52 anos o artista nascido em Pereiro, interior do Ceará, tem muitos planos futuros.

Correio Carioca - Você é arquiteto. Exerceu a profissão? Isso ajuda na carreira musical?
Falcão - Sim, sou arquiteto e urbanista, formado pela Universidade Federal do Ceará, em 1988. Exerci a profissão durante aproximadamente três anos, lá mesmo em Fortaleza. A universidade, pelo cabedal de conhecimentos que nos passa e pelo próprio ambiente acadêmico, abriu minha cabeça para vários assuntos e, com certeza influenciou na minha carreira artística.

De onde saiu a ideia do humor brega, porém refinado?
Não só o humor e o espírito brega, mas também a irreverência, a molecagem e a esculhambação são atributos que já nasceram comigo. É claro que a família - meu pai era a irreverência em pessoa -, o lugar onde eu nasci, a convivência e o conhecimento adquirido na rua e na escola ajudaram a moldar essa fuleiragem toda. Porém, nada disso foi planejado na minha carreira, tudo é consequência da naturalidade.

Apesar de sua imagem brega, suas músicas têm conteúdo crítico e inteligente. Você acha que esse lado deveria ser mais abordado pela mídia?
Sim, a mídia, ávida por audiência, prioriza o que é mais fácil, mais burro e mais imediatamente consumível. No entanto, meu trabalho, apesar de crítico e inteligente, também usa de coisas mais popularescas tentando atingir mais rapidamente maior número de pessoas, usando essa avidez da mídia por coisas mais chulas. Aí, cabe a cada consumidor descobrir, nas entrelinhas, o que eu realmente quero dizer. Claro que a mídia podia dar mais ênfase a esse conteúdo.

Quais foram as suas parceiras ao longo da carreira, tanto nas composições, quanto nas interpretações?
Em matéria de composições, meu parceiro mais constante é Tarcísio Matos, jornalista cearense, meu amigo desde a época de escola; mas já fiz música com diversos outros parceiros, entre eles, Robertinho de Recife, Bené Rodrigues, Adail Colares, Jair Morais e Flávio de Independência. Nas interpretações já tive a alegria de cantar com Xangai, Zé Ramalho, Frejat (e o Barão Vermelho), e mais recentemente registrei minha voz nos discos das bandas Comitiva do Rock e Massacration.

O que motivou você a brincar traduzindo para o inglês canções bregas nacionais?
Isso, além de uma brincadeira, foi uma forma de protesto. É que, nas décadas de 70/80, com o surgimento do rádio FM no Brasil, quase não se ouvia música brasileira nessas emissoras, então eu pensei naquela tradução macarrônica para a música do Waldick Soriano (Eu não sou cachorro não / I'm not dog no), para que as rádios brasileiras dessem atenção à nossa música.

É verdade que a banda inglesa Pink Floyd proibiu a gravação de "Atirei o pau no gato"?
Na verdade o Pink Floyd não permite regravações de sua obra, seja por quem for. Só que eu não sabia disso e fiz a versão de Another brick in the wall - part 2, e só depois da música gravada, quando já íamos lançar o disco, soubemos da não liberação. Então eu escrevi uma carta para Roger Waters, autor e líder da banda, mas o dito cujo não liberou minha versão. Aí, pra não perder a piada, eu avisei a ele que não deixaria o Pink Floyd gravar nenhuma música minha, também.

Quantos discos foram gravados ao longo de sua carreira? Cite seus nomes.
Até agora foram lançados oito discos: Bonito, lindo e joiado (1991), O dinheiro não é tudo, mas é 100% (1994), A besteira é a base da sabedoria (1995), A um passo da MPB (1997), Quanto pior, melhor (1998), 500 anos de chifre (1999), Do penico à bomba atômica (2000), What porra is this? (2006).

Quais músicas fizeram mais sucesso?
Muitas músicas fizeram, e fazem sucesso. As mais pedidas em shows são: I'm not dog no, Holiday foi muito, Ai minha mãe!, Oportunidade única, Black people car, I Love you tonight, A multa e No cume.

A banda que acompanha você é sempre a mesma?
Sim, a famosa banda Diarréia. Claro que durante esses anos alguns músicos saíram e outros entraram, mas a base da Diarréia é a mesma desde a primeira formação.

Suas roupas extravagantes são criações suas ou de outra pessoa?
No começo eu usava mais roupas de brechós e breshopings, e também era mais sóbrio, depois as coisas foram se avacalhando e eu comecei a desenhar algumas peças juntamente com minha mãe e minha companheira e chegamos a esse estilo - ou falta de estilo (risos).

Por que tantos objetos pendurados e presos nas roupas? Qual o significado deles?
Tudo começou apenas com uma flor na lapela, aí veio o girassol, que se tornou o assessório mais representativo do Falcão. Depois, por pura irreverência eu comecei a pendurar coisas só pra ver o buchicho que dava. Claro que agora algumas coisas têm significado, por exemplo: a tomada é para o caso de algum apagão elétrico, o porta-retrato é para que as pessoas possam me ver sem óculos escuros, o apito de chamar cornos é para isso mesmo, além da placa com o número do meu telefone, por razões óbvias.

Qual a razão do girassol sempre permanecer na sua caracterização? E o que ele significa?
O girassol foi presente de uma fã, durante um show eu o coloquei na lapela na hora que o recebi e ele virou minha marca. Hoje ele já faz parte do meu folclore, já virou quase sinônimo de Falcão. Muitas pessoas quando me veem à paisana perguntam logo pelo girassol. Nada é por acaso, depois eu soube que essa flor, segundo os exotéricos, traz muita sorte. E é isso que o girassol tem me trazido, por isso continuo usando-o.

Você tem experiência na TV como apresentador do "Falcão na contramão". Em que ano isso ocorreu e por que o programa acabou?
O programa "Falcão na Contramão" foi ao ar pela TV Bandeirantes em 1998. Teve vida curta, apesar de intensa, e até hoje eu não sei por que acabou. Porém, eu não desisti da televisão e ainda vou voltar atuar na telinha, aguardem.

Por que em sua opinião muitos humoristas do Ceará destacam-se nacionalmente?
No Ceará, assim como em todo o nordeste, naturalmente as pessoas são muito engraçadas. Aliás, o povo brasileiro é o mais bem humorado do mundo. Os cearenses se destacam porque a cidade de Fortaleza sempre deu muita oportunidade para que eles se apresentassem e se desenvolvessem. E isso virou até atração turística ali. Daí a virar atração nacional é um pulo.

Quando você se apresentará no Rio de Janeiro outra vez?
Não há nenhuma apresentação marcada para o Rio, por enquanto. Mas é claro que assim que os cariocas quiserem eu aí estarei, com toda alegria. O Rio é também responsável pelo início meteórico de minha carreira. Espero que vocês não deixem pra me chamar só em 2016 (risos).

Quais são seus trabalhos atuais e como deve proceder quem quiser entrar em contato com você?
Atualmente estou em estúdio, gravando mais um disco, que sairá em breve. Tenho vários projetos em andamento nas áreas de TV, cinema, literatura e DVD, aguardem! Para entrar em contato comigo tem aquele telefone que está em meu paletó (11) 2093 2229, ou ainda através do site www.sitedofalcao.com.br, ou do blog www.blogdofalcao.zip.net, ou ainda pelo Twitter www.twitter.com/brega_falcao.

 

 
 
« veja outras entrevistas
 
 
 
 
© Correio Carioca  -   Expediente   -   Política de Privacidade   -   Anuncie   -  Fale Conosco