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Dicró

Entrevista publicada em outubro de 2006 na Zona Sul e em março de 2008 na Zona Norte.

Carioca do bairro de Mesquita, o sambista e compositor Dicró iniciou sua carreira na década de 70 e logo começou a ser considerado um dos maiores expoentes da malandragem brasileira, com suas letras repletas de humor escrachado, como no disco "Barra Pesada", lançado em 1978, que retrata bem seu estilo. Freqüentador assíduo do Piscinão de Ramos, o vascaíno Dicró mora na Tijuca e é casado com Maria Madalena, há 39 anos.

Correio Carioca - O que o samba representa para o senhor?
Dicró - O samba representa a minha vida. Tem gente que só curte depois que já tomou umas cachaças. O samba apanha, apanha, mas está sempre de pé. O samba é minha vida mesmo. Até criei meus filhos com ele.

Qual seu processo de composição?
É muito simples. Eu falo de parentes, pois todo mundo tem. Então, eu falo mal de sogra, de sogro e de cunhado, pois o maior inimigo de quem quer vencer é parente. Ele está sempre falando para você cair fora, que aquilo não é para você, mas quando você se dá bem aparece até parente japonês. Eu falo mal de sogra porque todo homem tem sogra. Tem alguns que tem duas, três. Bom, mas eu não, eu só tenho uma, afinal sou casado há 39 anos com a mesma mulher, porque descobri que é muito mais barato manter um casamento do que bancar um divórcio.

Como foi sua experiência na "Escolinha do Professor Raimundo?"
Minha experiência na Escolinha foi fantástica. Primeiro porque o Chico Anísio é meu ídolo. Não sei se aquilo era uma escolinha ou se era um asilo, porque tem muito coroa ali. E o Chico Anísio dava oportunidade a todos.

Em 1991 o senhor escreveu uma peça teatral. Como foi essa experiência?
Eu escrevi uma peça junto com meu filho, o Alberto Dicró, chamada "O Dia em que Eu Morri". Essa peça trata de um problema social. É a respeito de um cara que morreu, e no dia de seu velório o espírito dele sai do corpo, mas ninguém vê e nem ouve, só a platéia. E ali ele faz grandes descobertas.

O senhor já realizou shows fora do Brasil?
Eu estive na Europa, em 89, e depois fui aos Estados Unidos. Não gostei muito da experiência não, porque lugar de se ganhar dinheiro é o Brasil. De cara, quando eu saltei na imigração em Washington eu já deixei um furo. Eu doido para ir ao banheiro, e não sei falar inglês. Estou vendo escrito lá na porta do banheiro "woman". Ora, "woman" para mim é "o homem", aí entrei. Então, levei uma bronca de uma gringa. Eu nunca ia descobrir que "woman" na verdade significa mulher em inglês. A gringa me xingou, eu xinguei a gringa, e ninguém entendeu nada.

No momento o senhor está vendendo seus cds nas ruas. Eles são produzidos pelo senhor mesmo?
Não, pela minha gravadora, a Universal Music. No momento ainda não é independente, será mais para a frente com o meu selo "Discró".

Onde esses cds são vendidos?
Em todos os calçadões do Rio de Janeiro com a permissão da Prefeitura. As vendas começam normalmente às 10hs e vão até umas 18hs, 19hs, 20hs.

O senhor está com algum lançamento previsto?
Eu vou gravar um dvd agora, "O Dvd do Devedô", porque todo mundo deve, então eu também me chamo de devedor, incluído nesses 180 milhões.

A última pergunta é uma curiosidade que todos têm e até agora não sabiam. Por que Dicró?
Trata-se de um acróstico. Porque meu nome é Carlos Roberto de Oliveira. O "de" (preposição entre Roberto e Oliveira) foi para o início. Foneticamente ele soa "di". Então, eu peguei o "C" de Carlos, o "R" de Roberto e o "O" de Oliveira, deu "cro". Sobrou aquele "de", que virou "di" e foi para a frente do nome. Juntando tudo ficou "Dicró", com acento no "o", e formou uma sentença. Ou seja, é um acróstico que se tornou praticamente um nome próprio. E nome próprio registrado em cartório, já que é bom lembrar que Dicró, a exemplo dos três tenores, é um de Os Três Malandros, junto de Bezerra da Silva e Moreira da Silva, e não marca bobeira.



 
 
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